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Erika e Aline

  • Foto do escritor: erika rox
    erika rox
  • 6 de fev.
  • 2 min de leitura

Sobre se reconhecer em múltiplas versões de si mesma



Durante muito tempo, eu não respondi como “Aline”.

Não por descaso ao nome favorito da minha mãe e dado a mim com tanto carinho, mas porque aquela palavra parecia nomear alguém que não era exatamente eu. Ou talvez fosse uma parte de mim que eu ainda não conhecia direito.


Sempre fui Erika. Erika com “k” e sem acento, presente nas chamadas escolares, nas apresentações da faculdade, nas redes sociais. Erika que sabe o que quer, que constrói, que performa bons resultados e perfeccionismo. Erika está presente, está trabalhando.


Mas também sou Aline. Só que, por algum motivo, essa parte ficou meio esquecida, como se estivesse em silêncio, esperando o momento certo para ser ouvida. Esse momento chegou de forma quase imperceptível em pequenos atos falhos da minha psicóloga, que, às vezes, me chama de Aline. No começo, achei que era só um deslize. Mas depois percebi: talvez aquela que experimenta se abrir e chorar, ser vulnerável, instável e confusa, seja a Aline.


A Aline que também sou eu. Talvez eu só estivesse evitando essa parte de mim por não saber muito bem o que fazer com ela. Porque Aline é mais introspectiva, menos cool. É o lado que sente antes de racionalizar. Que escreve cartas emocionadas que nunca envia. Que às vezes só quer existir fazendo sua cerâmica sem estar em evidência.


Vivemos tentando ser coerentes, consistentes, uma só pessoa.

Mas a verdade é que somos feitos de camadas, de vozes que coexistem. Às vezes, elas entram em conflito. Outras vezes, se complementam de um jeito tão natural que a gente nem percebe.


Sou Erika. Sou Aline.

E, mais do que isso, sou as duas ao mesmo tempo e muitas outras que ainda não fazem parte da minha assinatura.


Talvez a maior libertação do processo de amadurecimento seja justamente essa: entender que não precisamos escolher um lado só. Podemos ser contraditórios, complexos, em transformação constante. Podemos ser força e vulnerabilidade. Razão e intuição. Organização e caos. Erika e Aline.


Ao aceitar isso, sinto que me aproximo mais de mim mesma.



E você? Com que nomes você se identifica?


Se essa leitura te tocou de alguma forma, compartilha comigo ou com alguém que talvez esteja vivendo algo parecido. Às vezes, tudo o que a gente precisa é encontrar um nome mais gentil.

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© 2022 por Erika Rox

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